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Transformações

Ana Maria Prandato - 21/06/2001


I - O chamado da vida

O chamado da vida

A piracema é um fenômeno natural particularmente interessante, no qual os peixes sobem os rios em grandes cardumes, rumo à nascente, na época da desova. Uma força instintiva os impulsiona, e eles desafiam a correnteza, as pedras, as quedas d'água e até mesmo as barragens criadas pelos homens, e cumprem o seu destino de peixes. Nessa aventura pela continuidade da vida, muitos ficarão pelo caminho - morrerão - mas no esforço de subir; e esse esforço, em que outros tantos conseguirão êxito, é que garante a preservação da espécie.

É curioso, não é? Intrigante... Bonito. Mas, o que tem a ver conosco? Somos seres humanos, e não peixes... e nossos "cardumes", grandes ou pequenos, são quando muito ilusórios, aparentes, já que pensamos e agimos individualmente, seguindo a nossa própria trajetória dentro da massa coletiva.

Será que é simples assim? Será que exercemos de fato essa liberdade e esse poder de direcionamento, no que se refere às nossas vidas - ou estamos rolando em correntezas poderosas e nem sempre identificadas? Será que ouvimos ainda, que ainda conseguimos sentir as vontades originais do nosso coração - aquelas coisas que tocam a nossa alma, dando-nos a sensação de plenitude e valor real - ou estamos surdos e anestesiados a esse chamado da vida? E se pudéssemos percebê-lo, de repente? Será que desafiaríamos qualquer correnteza nessa busca - ou nos manteríamos na corrente que nos arrasta cada vez pra mais longe de nós, apesar da dor e da insatisfação?

É... Na escala animal, estamos bem distantes dos peixes. Naquilo em que eles respondem por instinto, precisamos responder por meio de recursos muito mais elaborados e complexos. É justo. Somos dotados de capacidades que precisamos usar, especialmente para o auto-conhecimento e para o auto-desenvolvimento. E é nesse sentido que a vida nos chama, sempre - no sentido da evolução da nossa própria consciência.


II - Identificando as correntezas

Está cada vez mais claro que a vida em sociedade acabou gerando forças manipuladoras muitas vezes escusas e freqüentemente poderosas. Elas chegam a ditar comportamentos, opiniões, crenças, maneiras de pensar, criando até mesmo a idéia de necessidades e orientando a sua satisfação - ou consumo. Ao dizerem "o que é bom", "o que é certo", "o que tem valor", visam seduzir-nos a uma direção que nem sempre é a nossa e que, portanto, não possibilitará a nossa realização pessoal. Assim, abraçamos profissões, assumimos compromissos, aceitamos desafios, nos submetemos a circunstâncias desagradáveis, tudo sem considerarmos que podemos estar envolvidos em projeções externas, distantes da nossa vocação verdadeira - e o resultado disso é a insatisfação, mesmo que todos os "termômetros sociais" indiquem calorosamente o nosso sucesso... A insatisfação, nesse caso, é aquele "pisca-alerta" esclarecendo que saímos do nosso caminho - e retomá-lo pode requerer coragem.

Se até aqui está compreensível que fazemos ou deixamos de fazer muitas coisas em função de fatores externos, que acabam conduzindo nossa vida como correntezas dominadoras, talvez não seja tão fácil percebermos que dentro de nós também existem forças igualmente poderosas, que supreendentemente se voltam contra a nossa vontade - e contrariá-las não requer apenas coragem, mas disciplina, determinação, constância, vigilância e paciência. São condicionamentos, resistências, couraças - defesas, enfim - que construímos e usamos quem sabe há quantos anos (pra quem acredita em reencarnação e vida após a morte, séculos) e que se impõem justamente quando começamos a tomar consciência daquilo que realmente queremos para nós e das transformações necessárias para realizá-lo. São verdadeiras guerras íntimas - nosso coração querendo o novo, o diferente, o original, e nossa mente querendo deixar tudo correr exatamente como está.


III - Indo além das palavras

Se estivermos interessados em realizar transformações na nossa situação presente, buscando um maior bem-estar, uma vida mais próspera, melhores oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal, melhor qualidade nos nossos relacionamentos, ou o que quer que nos faça mais felizes e animados a viver, logo constataremos que apenas palavras - ditas, lidas, ouvidas, decoradas, repetidas zilhões de vezes - não serão suficientes. As palavras que lemos, que ouvimos, podem, sim, nos esclarecer e nos inspirar. As palavras que dizemos, que decoramos, que repetimos, podem nos lembrar, nos encorajar, nos levar de volta ao ponto do qual nos dispersamos. Mas, para que as transformações aconteçam, é preciso ir além das palavras.

Quando a Metafísica atual diz que temos (todos nós) o poder interior capaz de atrair e materializar circunstâncias e acontecimentos (como doenças, curas, sucesso, desemprego, fortuna, traições, acidentes, encontros agradáveis, roubos, e tudo mais que vemos na vida) segundo as crenças que alimentamos, podemos achar que apenas mudando o nosso discurso verbal - ou mesmo mental - já estaremos aptos às mudanças de curso. E ficamos desanimados quando nada muda. Ou então, diante dessa perspectiva que a Metafísica nos apresenta, já reagimos desconfiados, muitas vezes preconceituosamente, porque aquela história dos sofistas, dos demagogos, está muito forte dentro de nós, e nem queremos acreditar em mais palavras.

Pois bem, se pudemos vislumbrar a possibilidade de transformações por intermédio das palavras, não podemos agora ficar somente nelas. É por isso que o dito "pensamento positivo", por si só, não adianta nada. É claro que é bom ver a vida positivamente, mas se partirmos de bases fantasiosas não chegaremos a lugar nenhum. Não adianta, por exemplo, ficarmos repetindo "positivamente" que vamos ganhar na loteria.Se não tivermos um conjunto de crenças ativas e compatíveis a respeito de nós mesmos e a respeito da vida, não ganharemos nunca. Ou, se chegarmos a ganhar, perderemos em seguida. Isso usando apenas um exemplo corriqueiro, e sem mencionar outros fatores que também interfeririam nesse processo. Mas é assim com tudo.


IV - Aprendendo a transformar

Um dos fundamentos mais bonitos e úteis da Metafísica é o estímulo a que nos conheçamos mais profundamente, reaprendendo a sentir - a sentir, especialmente, a nós mesmos - aliando esse sentir ao pensar. Dessa forma, poderemos identificar com mais facilidade quais são as "correntezas" que nos arrastam, conforme vimos no início.

Se forem seduções ou imposições sociais parece mais fácil fazer alguma coisa, não é? Mas, e se descobrirmos que não é nada fora? Que até temos liberdade suficiente pra irmos nesta ou naquela direção, temos preparo, temos qualidades, desenvolvemos capacidades, nos empenhamos até onde conseguimos, só que os resultados não vêm, como gostaríamos?

Aí é bom checarmos as nossas crenças (crenças, aqui, significam idéias nas quais depositamos muita importância, muita confiança, muito crédito - mesmo que já tenha sido há muito tempo, e mesmo, até, que estejam agora num plano menos consciente). Podemos descobrir, por exemplo, que desconfiamos da nossa capacidade, ou da nossa força, ou do nosso merecimento, ou do nosso valor. Qualquer situação em que tenhamos de sustentar esses nossos atributos desencadeará em nós sensações desagradáveis que procuraremos evitar, impedindo, então, que se realizem - ao mesmo tempo em que um outro lado nosso quer de verdade essa realização. Isso pode ter acontecido por experiências dolorosas que vivemos, ou por termos sido comparados a alguém e desvalorizados, ou por tantos outros motivos que, no fundo, não importam mais. O fato é que acreditamos nessas coisas - nos deixamos impressionar fortemente por elas - e isso faz com que permaneçam ativas dentro de nós. Supostamente para nos proteger, o que fazem é causar limitações e dificuldades.

Continuando com o nosso exemplo, descobrimos que não confiamos na nossa capacidade. É possível que voltemos a "ouvir" mentalmente aquela voz - do pai, da mãe, de um professor, de um chefe, ou de qualquer outra pessoa que tenha tido importância para nós - dizendo que erramos, que somos incapazes, que não conseguimos fazer nada direito, que não prestamos pra nada (essas "coisinhas ternas" que as pessoas costumam dizer pras outras, a pretexto de educá-las ou corrigi-las). É provável que sintamos novamente a dor, o embaraço, a raiva, a humilhação, tudo o que experimentamos naquele momento - tudo pode estar ainda "vivo" nos nossos registros - e é disso que nos defendemos quando nem queremos expor nossa capacidade atualmente, preferindo acreditar que não somos mesmo capazes. Se observarmos da mesma forma outras áreas da nossa vida que não estejam fluindo como gostaríamos, poderemos perceber outras crenças cumprindo o mesmo papel.

Para a Metafísica, tudo acontece de dentro pra fora, quer dizer, para transformar fora é preciso mudar dentro. Então é preciso, primeiro, desmanchar essa dor, essas sensações ruins, tirando a importância que demos ao fato. Para isso, vamos ter de mexer com o nosso orgulho, com a nossa vaidade, com as nossas pretensões, com a nossa culpa, com as nossas ilusões, com o nosso perfeccionismo, com o poder e a autoridade que delegamos aos outros, enfim, será um rastreamento de como somos, através daquilo em que acreditamos. Será um processo de atualização na nossa maneira de pensar (e, conseqüentemente, de agir) - uma substituição de crenças - considerando o que queremos para nós no momento presente e usando todo o conhecimento que temos para viabilizar a realização dessa nossa vontade.

Certamente, esse é um trabalho grande. Totalmente possível, mas não de uma hora para outra. Como pudemos ver, partimos das palavras, mas teremos de chegar à atitude de mudar nossa maneira de pensar, e sustentar essa mudança nas nossas atitudes práticas posteriores. Isso engloba observação, estudo, conhecimento, pesquisa, experimentação - portanto, nada parecido com misticismo, fórmulas mágicas ou receitas prontas. E requer, repetindo, não apenas coragem - mas disciplina, determinação, constância, vigilância e paciência.

Parece muita coisa, não é mesmo? Difícil demais, grande demais... Será que não é melhor deixar pra lá? Além do mais, existem tantos outros "kits" prontinhos no mercado, nos quais podemos acreditar sem tanto envolvimento e sem nenhum compromisso... Mas aí fica tudo como está, né? É... Mas é que nascemos pra sofrer, Deus é quem quer assim... Francamente, não acreditamos mais nisso, não é? Chega de jogar pra Deus aquilo que é da nossa responsabilidade. Um último "mas": será que vamos conseguir???

Se pensarmos no jeito como somos, provavelmente veremos que, se a vida de alguém a quem amamos muito dependesse de um esforço nosso, da nossa dedicação exaustiva e constante, ainda que com sacrifícios pessoais, nos empenharíamos até o último instante possível nessa missão, não é assim? Agüentaríamos ver a criatura tão amada morrendo em dores, se estivesse ao nosso alcance restituir-lhe a vida útil e prazerosa?

Pensemos em nós como criaturas a quem precisamos aprender a amar com essa mesma intensidade. Pensemos em nós como merecedores de todo o nosso esforço, de toda a nossa dedicação, para que tenhamos uma vida mais satisfatória e mais feliz aqui mesmo, agora, acabando com os sofrimentos que podemos curar, e deixando de atrair outros. Pensemos em Deus (seja qual for a idéia que façamos dele), como uma força amorosa e íntegra, que certamente apoiará e facilitará toda e qualquer atitude de integridade e de amor que nos dispusermos a assumir em nosso benefício. Pensemos, finalmente, que ao nos tornarmos melhores e mais úteis para nós mesmos, estaremos mais capacitados a agir como colaboradores para o bem comum - e pode ser que estejamos, assim, cumprindo o nosso verdadeiro destino como seres humanos.

Se o nosso coração pedir esse caminho, conseguiremos percorrê-lo, com certeza. Estamos dispostos a ouvi-lo, desta vez?




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