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É dando que se recebe?

Ana Maria Prandato - 08/01/2001


I - Não caímos aqui de pára-quedas

É saudável o equilíbrio entre dar e receber.

Por menos que nos dêmos conta, a Humanidade (da qual fazemos parte) vive num processo evolutivo contínuo. Alguns rebatem essa afirmação, argumentando com manchetes diárias da violência e das atitudes animalescas que ainda se pode presenciar por este mundo. Vamos aqui fazer um exercício de pensamento, ao menos explorando novas possibilidades.

Todos nós já freqüentamos alguma escola, não é? Desde a alfabetização, fizemos parte de determinadas classes (turmas de alunos). Pois é, íamos mudando de série à medida em que aprendíamos aquele conteúdo. E mesmo quando crianças, já observávamos que nossos coleguinhas eram diferentes uns dos outros - ou diferentes de nós...Alguns iam muito bem em Matemática, outros em Português. Alguns não iam bem em nada, mas eram engraçados, outros eram estúpidos e assustadores enquanto a professora se desdobrava para domá-los...Não era assim? E estávamos todos na mesma classe...

Assim estamos todos aqui, nesta classe imensa que é a Terra. Já sabemos muito, mas há muito mais a aprender.

Como na nossa vida escolar, os conceitos foram sendo introduzidos de acordo com a nossa capacidade de entendimento e a nossa necessidade de transformação.

Mas, se foi necessário e possível chegarmos das quatro operações primárias aos logarítmos, também é possível - e extremamente necessário, que façamos uma atualização constante nos conceitos de vida que assimilamos e nos quais podemos estar investindo uma crença automática e prejudicial, por não condizerem mais com nosso estágio evolutivo.


II - Foi preciso aprender a dar

Quando uma coisa nos impressiona fortemente, nos atrái, é o nosso momento de aprendê-la (ou apreendê-la, torná-la nossa). Assim é com as idéias, e assim vamos mudando nossa maneira de pensar - e de ser.

Se o "É dando que se recebe" nos tocou a ponto de o adotarmos como norma de vida, estávamos prontos para um passo a mais no caminho que vai do egoísmo à generosidade. Mas é bom olharmos por onde pisamos...E prosseguirmos na caminhada.


III - Reconhecendo as ilusões

Num primeiro plano, parece que gostamos de pensar bem de nós mesmos (se bem que, no fundo, poucas criaturas nos esculhambariam tanto quanto podemos fazer conosco, mas esse é um outro assunto).

Se já aprendemos a sentir o genuíno prazer da generosidade - mesmo que apenas nuns raros lampejos -, como gostamos de pensar bem de nós, pensamos que já somos "bons" o bastante pra fazermos parte desse troca-troca que nos parece ser a vida...Eu "te" dou hoje, você me dá amanhã...Eu "te" dou de coração, você me dá de coração...E esse "eu dou/você dá" vai virando um "kit" onde entra de tudo...de incentivo a empréstimo de dinheiro, de apoio a carinho físico, de aceitação a ensinamentos, de presença a afeto, e vai por aí a fora.

Mas, que horror!!! (e quanto mais "espiritualizados" formos, maior a nossa indignação). Que é isso?!! Damos porque gostamos! Damos porque queremos! Damos porque temos pra dar! Damos sem esperar nada em troca!!!

É duro, mas tudo isso tem mais ilusão do que gostamos de reconhecer.

Ilusão número um: Por mais abnegados que já sejamos (e geralmente não conseguimos ainda essa abnegação em todas as áreas, em todos os momentos e com todas as criaturas), temos as nossas necessidades - que ainda estamos começando a aprender a suprir - e esperamos, sim, que o outro faça por nós o que fizemos por ele, enquanto afirmávamos que não queríamos nada em troca.

Ilusão número dois: A criatura que se abriu toda pra receber, quando precisava, pode não estar disposta ou disponível para se abrir e dar, quando somos nós que precisamos. Provavelmente ela nem perceberá a nossa necessidade (enquanto esperamos até uma ajuda espontânea) e é possível mesmo que ela se negue, enquanto contávamos, subliminarmente, com a sua doação.

Ilusão número três: Essa dor que sentimos, essa frustração, essa tristeza, não é prova de que o mundo é injusto e de que não há "boas pessoas" em quantidade - mas é uma prova reveladora de que ficamos foi com uma raiva enorme, por termos sido ignorados... Espanto? Por quê? Você acredita, mesmo, que "espiritualizados" já não sentem mais raiva? E que essa raiva é ruim?

Ilusões gerais: Se acreditamos que temos de começar a dar para que comecemos a receber, estamos iludidos. Tudo nesta vida já é uma grande troca - dar e receber já é próprio da nossa natureza. Desde a luz do Sol, do oxigênio, das inspirações, recebemos o tempo todo...E damos...da nossa energia, dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos... Podemos melhorar a qualidade do que damos e podemos melhorar a qualidade do que recebemos, isso sim.

Se acreditamos que o importante é dar, ainda que nos sacrifiquemos, ainda que não estejamos com vontade, estamos iludidos. Só tem validade aquilo que damos totalmente de coração.

Se acreditamos que é "feio" pedirmos o que precisamos, estamos iludidos. É a nossa vaidade que nos impede de demonstrar o que estamos sentindo, de verdade. Podemos nos dar o direito de nos mostrarmos como estamos, já dando de saída o direito ao outro de dizer sim ou não.

Se acreditamos que, por darmos muito, estamos habilitados automaticamente a receber muito, estamos iludidos. Receber é uma questão de capacidade de atração. Depende mais daquele que recebe (ou melhor, depende só dele) do que daquele que dá. Em outras palavras: quem dá vai dar de qualquer jeito...e quem atrair vai receber (de carinho a tiro, vale pra tudo...). Chocante? Mas é real. É assim que interagimos na vida.

Finalmente, se acreditarmos que foi a última vez que nos decepcionamos por estarmos iludidos, é bem provável que continuemos iludidos...Hehehehe... Nesta nossa passagem de animais a anjos, a evolução não dá saltos. Cada passo é útil e necessário pra que possamos perceber e desinstalar nossas ilusões a respeito da vida, a respeito dos outros e, principalmente, a respeito de nós mesmos.




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