Seja bem-vindo ao DeDentroPraFora. Aqui falamos da Metafísica atual e de como ela pode contribuir para que sintamos mais prazer em viver. :) :) :)



Artigos






* S u g e r i d o a p o r a l e i t o r e s

Sugira um tema



Declaração de Amor - I

Ana Maria Prandato - 19/08/2002


Feliz por amar :)

Ao começarmos a estudar a Metafísica atual, observamos que pouco se ouve (ou se lê) a palavra amor. Aqueles que já vêm de alguma prática espiritualista, principalmente, podem chegar a estranhar essa ausência. Aos poucos, vamos compreendendo a razão.

Se a Metafísica considera que um dos atributos da alma é o amor incondicional, está claro o quanto ela valoriza esse sentimento. Por quê, então, a reserva?

É que a palavra amor pode significar coisas muito diferentes para aqueles que falam/escrevem e para aqueles que ouvem/lêem. Num primeiro momento, parece que todo mundo está se entendendo, mas, na verdade, cada um está associando ao seu raciocínio o conceito que tem a respeito do amor, as histórias que viveu, e toda a carga emocional que acompanha as idéias.

Além disso, a palavra amor é largamente banalizada em citações piegas, e é também freqüentemente explorada em manipulações e outros jogos desonestos - fato que justifica a resistência de muitos a ela.

Contudo, sabemos que é na área afetiva que acontecem as nossas experiências mais enriquecedoras, e também as mais dolorosas. Então, vamos dar uma olhada naquilo que pensamos sobre o amor - focalizando, aqui, o chamado relacionamento afetivo/amoroso. Vamos rever o que sentimos, e pode ser que encontremos modos de diminuir a frustração, a dor, acabando com a necessidade da "anestesia" e aumentando o prazer e a realização em nossas vidas.


I - Do que é mesmo que estamos falando?

Imagine que a coisa aconteça num daqueles dias em que a vida parece chata, sem graça... A criatura sozinha, ou mal acompanhada, já ficando cansada de pedir a Deus uma surpresa boa. A insatisfação, o tédio, a contrariedade, a desmotivação. De repente, encontra na caixa postal a mensagem de alguém conhecido, que ela até acha interessante (simulamos aqui a versão em que um homem escreve para uma mulher, a fictícia Helena, mas você poderá adaptá-la de outra forma, se for o caso), e o inesperado e-mail diz mais ou menos assim:



Helena,

Pensei em falar com você ontem, quando nos encontramos, mas você estava com tanta pressa... Na verdade, pensei em falar muitas outras vezes, mas acho que sou tímido demais...
Por isso resolvi escrever... Não posso mais disfarçar meus sentimentos... Estou completamente apaixonado por você! Loucamente apaixonado!!! (será que você já percebeu?!)
Me encanto com você, Helena! Linda, inteligente, sensível, sensual... e doce! Perfeita! Você é tudo o que sonhei pra mim.
Quero você, Leninha. Quero, mais do que tudo, ter você.
Faço qualquer coisa para ter o seu amor... faço tudo por você... Vou cuidar de você, vou realizar todos os seus sonhos, vou fazer você feliz!
Acredite, eu sei que posso. Só não posso mais viver sem você...
Por favor, Leninha, diga que também me quer, diga que quer ser minha para sempre. Seremos felizes, eu prometo.
Fique comigo, amor. Só você pode me dar alegria, só você pode me trazer a paz, só você enche meu coração de luz!!
Diga que me quer, Helena. Só assim eu poderei ser feliz.
Já amo mais a você do que a mim mesmo.


E aí? Será que a "Leninha" vai balançar? Será que foi por uma declaração assim que ela andou rezando? Terá encontrado o grande amor da sua vida? Será que ela, finalmente, vai ser feliz?

E nós, aqui? Bem lá no fundinho, será que esperamos por alguma coisa parecida? Desejamos ouvir (ou dizer) coisas semelhantes? É essa a idéia que fazemos do amor?

Se as nossas respostas se condensaram num secreto e sincero SIM, chega a ser normal. Prestando atenção ao texto do nosso apaixonado, acima, veremos que ele não foi nada rico em originalidade... Com pequenas variações, reproduziu o que encontramos na maioria dos romances, dos filmes, das novelas, das letras de músicas que fazem sucesso atualmente. Mas, será que isso é mesmo amor?


II - Amor ou paixão?

É comum fazermos uma confusão danada com essas duas palavras. Usamos uma pela outra. É compreensível, e talvez isso aconteça até por uma dificuldade lingüística: quando queremos expressar que estamos amando, dizemos que estamos o quê?... Apaixonados!

Mas não fica tudo do mesmo tamanho, não são apenas palavras - sugerem estados de espírito bem diferentes, situações diferentes - e confundi-las pode significar interpretar mal os sentimentos, nossos e dos outros.

Para a Metafísica atual, espiritualista, a paixão é uma produção do ego e o amor é uma expressão da alma.

Na paixão, estamos encantados com as supostas qualidades do outro (não raro nem enxergando seus "defeitos"); idealizamos um relacionamento prazeroso, segundo nossos padrões, e alimentamos a ilusão (quase sempre inconscientemente) de que tudo o que é do outro passará a ser nosso, por uma espécie de osmose - sua alegria, seu sucesso, sua beleza, sua descontração, sua juventude, sua prosperidade, sua inteligência, ou seja lá o que for que gostaríamos de ter também.

Assim, estamos completamente fora do nosso campo de atuação, do nosso centro, da nossa essência, e nos centramos no outro.

É claro! Se não gostamos de nós como somos, se não gostamos da nossa vida como é, podemos ficar fascinados pela idéia de que uma outra pessoa poderá dar jeito nisso tudo, transformando a nossa triste realidade como num passe de mágica. Entretanto, como podemos adivinhar, esse encantamento não vai muito longe.

Do ponto de vista da Metafísica atual, não há como responsabilizar o outro pela nossa felicidade, ou nos responsabilizarmos pela felicidade de alguém. Nenhum de nós tem esse poder. Portanto, quando fazemos promessas nesse sentido, ou queremos que os outros as façam, dizendo que estamos loucamente apaixonados, numa coisa estamos corretíssimos: é insanidade mesmo.

Não é por acaso que o "grande amor" de ontem pode acabar virando o obsessor de hoje, mas nisto também não há mal algum. De um jeito ou de outro, precisamos praticar as relações humanas, precisamos experimentar o contato com os demais e com aquilo que sentimos. A paixão, como tudo, também tem a sua função e o seu valor. Com o tempo, vamos vendo que podemos aprimorar a qualidade dos relacionamentos. Estamos aprendendo a amar.


III - Quando um não quer, dois não querem.

Pois bem, começamos a compreender mais claramente aquilo que não é amor. O desespero, o delírio, a loucura, a posse, o domínio, a dependência, fazem parte de um outro departamento.

Vamos tomando consciência de que precisamos cuidar de nós mesmos e já não queremos o outro como trampolim ou como escora - fazemos todo o possível pela nossa própria felicidade e conseguimos ficar bem a maior parte do tempo, ainda que sozinhos. Ótimo! Já é uma grande conquista! Estamos mais lúcidos, agora. Acessamos com mais facilidade o nosso coração, a nossa alma - e descobrimos que ela quer amar...

Quando estamos bem, quando estamos equilibrados, centrados em nós mesmos, nossa alma põe amor em tudo aquilo que fazemos, naturalmente, e é daí que nasce o prazer...

Num belo momento, percebemos que somos fortemente atraídos de encontro a uma outra pessoa. Pensamos nela e é como se o nosso coração sorrisse, feliz! É um "gostar", é uma ternura, um bem-querer... é um sentimento intenso, contínuo... é uma vontade de chegar perto, de estar junto, de compartilhar prazer e alegria... são os hormônios animados, também, sinalizando o saudável desejo do corpo...

É... é bem provável que estejamos amando... Maravilha!!! Já estamos mais corajosos, já temos mais cacife, agora vai!

Escancaramos o coração, completamente expostos e desarmados. Falamos tudo... E a criatura amada não quer.

Puxa... isso dói, não dói? Ainda se for aquele NÃO categórico, de "nunca mais pense nesse assunto", grande parte da questão estará resolvida. O duro é aquele não sem muita firmeza, que nos deixa a impressão de ter que fazer mais alguma coisa pra que ele vire um sim.

E agora? Agora cada um de nós vai reagir ao seu modo. Uns vão sofrer mais, outros menos; alguns vão travar por mais um tempo, e há ainda os que pensarão em desistir de uma vez por todas.

Geralmente encaramos esse não como "REPROVADO", e daí a nos sentirmos inaptos e desajeitados é um pulinho só. Juntando-se a isso as crenças desfavoráveis que temos quanto a nós mesmos, aos outros e aos relacionamentos, estará formado um quadro sombrio e desanimador.

Bem, pode demorar um pouco pra "cair a ficha", mas quando cai é uma delícia!!! Anime-se! Não foi o outro que disse "não", fomos nós mesmos! E qual o motivo desta animação? Ora, não podemos modificar o outro, mas podemos reprogramar as coisas dentro de nós!

Segundo a Metafísica atual, tudo aquilo que nos acontece é da nossa responsabilidade, tudo criação nossa. E tudo quer dizer tudo mesmo. Se desejamos um sim e recebemos um não, é porque ainda não liberamos totalmente o sim dentro de nós. Do que ainda estamos com medo? No que ainda estamos apegados?

Resolvendo isso, a vida poderá fluir de maneira natural. O relacionamento afetivo desejado poderá se concretizar, talvez não com aquela pessoa, mas com outra da qual também gostemos bastante.

Ah, mas só servia aquela bendita criatura? Xiiiii... Ainda temos muito o que conversar! :)




***********************************************************



Nesta edição:

Declaração de Amor - I

I - Do que é mesmo que estamos falando?

II - Amor ou paixão?

III - Quando um não quer, dois não querem.


Seqüência:

Declaração de Amor - II

IV - Empacados

* Auto-sabotagem

* Apego/ Culpa/ Medo

* Julgamento

V - Deixar ir - O desapego


Próximos tópicos:

VI - Deu tudo errado, de novo...

VII - Ninguém merece

VIII - Deixa pra lá... ou: "As uvas estão verdes..."

IX - O afeto-cabeça e a Internet

X - Realização = Desenvolvimento de potenciais




Comente este artigo Fale conosco

Sugira um tema



Quer enviar esta página
para um amigo?
Clique aqui!