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Corações Solitários

Ana Maria Prandato - 21/04/2001


I - Defesa aberta

Ninguém está só

A Internet, esse genial meio de comunicação, vem evoluindo cada vez mais rapidamente no campo da alta tecnologia. É a junção de conhecimentos, criatividade, atualização; é a curiosidade, a motivação natural de descobrir, de ultrapassar limites, de realizar - é a inteligência humana brilhando, mais uma vez, e isso é inegável.

Estamos tendo o privilégio de experimentar o "admirável mundo novo" bem agora, aqui mesmo - e ainda que essa experiência seja forte a ponto de impressionar nossos sentidos e desestruturar, de certa forma, a visão que tínhamos do mundo, continua inegável, também, o óbvio: por trás de toda essa maravilha está o "bom e velho" ser humano - nós - com toda a carga de sentimentos, valores e distorções que acabam gerando comportamentos nem tão novos, nem tão admiráveis...

Assim, a Internet reproduz fielmente, e sem nenhuma cerimônia, tudo aquilo que já existe neste que chamamos de "mundo real". Informação, sedução, serviços de utilidade pública, trabalhos idealistas e humanitários, golpes e trambiques de toda a espécie... Tem de tudo, pra todos os gostos (e pra todos os níveis de consciência).

Encontros fantásticos, encontros que não dão certo e outros que preferiríamos que não tivessem dado certo. Invasores (hackers, crackers e outras variações), voyeurs, militantes, pichadores, corruptores, gênios malucos ou simplesmente malucos de todo tipo, produtores e disseminadores de pragas, vírus - além de muita gente legal e bem-intencionada, é claro! Tudo igualzinho... Afinal, virtual ou não, ainda é só a vida.

Nesta semana, empresas antivírus publicaram alertas quanto ao surgimento de mais uma ameaça à saudável tranqüilidade dos nossos computadores. É um vírus daqueles que se propagam quando abrimos o arquivo anexado a um e-mail. Ele foi considerado como de alto risco por algumas dessas empresas, e de médio risco por outras.

Até aí, ainda que lamentável, é só mais um vírus. O curioso é que ele chega através de um e-mail intitulado "Corações Solitários", e sugere que o arquivo seja executado sob o pretexto - tentador - de estar proporcionando um programa que propiciaria ao destinatário a oportunidade de encontrar o seu par perfeito.

Par perfeito! Caramba!!! Será que Deus ouviu, finalmente, as nossas preces?!

Bom, se você já teve o desprazer de cruzar com esse "Corações Solitários" no seu monitor, e se já caiu na tentação de clicar no anexo fatídico, a esta altura você já deve ter descoberto que andou rezando pelo motivo errado.

É como se disséssemos: "Meu Deus, põe no meu caminho aquela pessoa que me fará feliz!" E Deus, pacientemente, respondesse: "Cai na real, minha filha! Você continua iludida!" (Nota: Vale igualmente para o masculino.)

Os vírus estão aí, assim como as vacinas e as várias possibilidades de proteção. Tanto no virtual como além dele, estamos sujeitos a invasões no mínimo desagradáveis, e temos a opção de adotar certas medidas preventivas que vão de antivírus para computadores até seguros de bens, sistemas de alarme, convênios médicos, segurança pessoal - tudo com o objetivo de diminuir a nossa vulnerabilidade. Adotamos esses recursos porque, até então, confiamos mais na proteção externa do que naquela que podemos obter dentro de nós mesmos. Tudo bem. É válido e até necessário que seja assim mesmo, se não temos ainda o cacife suficiente pra bancarmos a nossa própria segurança.

Portanto, que se use toda a proteção disponível, se isso trouxer mais tranqüilidade. Mas parece interessante, também, uma reflexão sob outro ponto de vista.

Consultemos nossa memória e encontraremos fatos e situações em que toda a proteção externa foi totalmente ineficaz. Quem tem dois filhos pequenos que vivem juntos e já viu um deles "pegar" sarampo enquanto o outro ignorou a doença, ou quem já esteve num avião que caiu e - é evidente! - foi um dos sobreviventes, enfim, qualquer um de nós que tenha um "quase" pra contar, vai entender facilmente que existem outras forças atuando quando estamos protegidos ou desprotegidos. Ir aprendendo a lidar com elas é o nosso objetivo, aqui.

Resumindo, cuidemos da proteção de fora - mas conscientes de que, se a de dentro estiver desativada, ou ativada contra nós, não há mais nada que nos possa proteger.


II - O par perfeito

Quem ainda acredita que precisa encontrar alguém que possa fazê-lo feliz, com certeza acabará descobrindo que essa tal felicidade não chega nunca. Até pode parecer que chega, mas não dura - como a flor apanhada da planta - não tem raiz. A raiz da nossa felicidade não pode viver no outro - nele só pode viver a sua própria felicidade.

Quando dizemos "você me faz feliz", podemos estar dizendo, na verdade: "a sua felicidade estimula a minha capacidade de ser feliz", ou então: "a sua felicidade se reflete em mim e eu me contento com esse reflexo, mas não sou feliz coisa nenhuma"... Isso se uma das partes estiver realmente feliz. Do contrário, será apenas uma troca de fantasias - castelos de areia.

É natural que queiramos encontrar uma criatura com a qual possamos compartilhar intimidade, afeto, prazer, afinidades e até projetos de vida, como não? Mas isso é diferente de condicionarmos a nossa realização pessoal, a nossa felicidade, ao fato de "termos" alguém.

Do ponto de vista metafísico, ao delegarmos o nosso poder (no caso, o poder de ser feliz) aos outros, acionamos todo um mecanismo de inferiorização, de desvalorização - e aí está a porta aberta para, entre outras chateações, os vírus (no computador ou, o que é pior, no próprio corpo).


III - Corações Solitários

Mesmo que nada disso que foi dito até aqui seja novidade pra nós; mesmo que estejamos aplicando esses conhecimentos, ao máximo possível, na nossa vida diária; mesmo que estejamos sozinhos por opção; mesmo que discordemos totalmente do "antes mal acompanhado do que só"; mesmo que costumemos sentir prazer na nossa própria companhia - ainda assim, pode acontecer de nos descobrirmos, de repente, em plena crise de solidão.

Por exemplo: ouvimos risos, vozes alegres, na casa vizinha - e o nosso coração se aperta; beijos e abraços num comercial de TV (que já passou quinhentas vezes), causam a mesma reação; tentamos ler, ou fazer qualquer outra coisa que normalmente apreciamos, mas não conseguimos tirar da cabeça alguém de quem estamos com saudades; persiste uma sensação de falta, de abandono...

Xiiiii... É ela, mesmo. Feita de um vazio desconfortável, é a solidão, nua e crua. E não adianta disfarçar - e nem correr atrás de ninguém. Esse vazio é nosso. Na verdade, estamos vazios de nós mesmos - nós nos abandonamos.

Será que estamos cuidando muito dos interesses dos outros, e nos esquecemos dos nossos? Será que andamos tratando todo mundo como gostaríamos de ser tratados, e acabamos decepcionados porque o retorno não veio? Será que estamos acreditando que alguém "deve" nos dar atenção?

A essas perguntas, e talvez ainda a outras, só nós mesmos poderemos responder. Mas é por aí. Uma conversa sincera e aberta conosco - e revelações surpreendentes!

Quem é mesmo que estava sozinho?




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