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Convivendo com as diferenças

Ana Maria Prandato - 21/03/2002


I - Uma dificuldade em comum

A harmonia admite semelhanças e contrastes

Inauguramos o "Sugerido por leitores" abordando uma das mais freqüentes dificuldades encontradas ao começarmos a descobrir que somos "diferentes": nos relacionarmos com os outros.

Fica parecendo que antes tudo era bem menos doloroso - todo mundo mais ou menos anestesiado, sem ter um contato verdadeiro nem consigo mesmo, que dirá com o outro, boiando numa superfície de aparências, estabelecendo os famosos acordos mudos: faça tudo aquilo que eu quiser, e eu faço de conta que aceito você totalmente; faz-de-conta que eu nem percebo que você me invade, assim você também não pode reclamar dos meus abusos; "fique na sua", que eu "fico na minha", mas vamos dar um jeitinho de fazer parecer que "a sua" e "a minha" são a mesma coisa, pra que tudo fique bem... etc... etc... etc... (você poderá identificar muitas outras versões, certamente). Puxa!!! E assim íamos vivendo "felizes" para sempre...

Até que começamos a desconfiar dessa "felicidade" por um motivo muito simples: não nos sentíamos felizes!!!...

"Sentir" como é que estamos - contentes ou descontentes, realizados ou oprimidos, confiantes ou temerosos, enfim, qual é o nosso estado interior - já é dar uma primeira olhada para dentro de nós mesmos. Dependendo do quanto estivermos dispostos a ver, damos de cara com um "eu" original, que sente e que pensa do seu jeito - que quer falar, que quer fazer, que quer ser... - meio sufocado, meio soterrado, meio imobilizado... escondido... desconsiderado... mas está lá! Descobrimos o "eu", e a partir daí fica mais claro que todos os demais são os "outros"...

E agora? Nos percebemos diferentes... mas tudo continuará igual? Por exemplo, abrimos a porta do nosso quarto... e lá estão as mesmas pessoas de sempre... Ou então teremos um encontro logo mais com alguém que já nos "conhecia"... Ou iremos amanhã para o trabalho, para a escola, para aquela reunião... E o almoço de domingo, na casa da sogra, da tia, ou da mãe?

Pois é... É aí que a "encrenca" começa, como expressa com bastante clareza uma nossa leitora, cujo nome foi preservado:


Para: dedentroprafora@bol.com.br
Data: 22/02/2002 20:03
Assunto: Lidar com as diferenças

Oi Ana Maria!

Estou gostando muito de ler seus textos. Conheci a Metafísica a pouco tempo e encontrei nela identificação com as mudanças que venho tentando fazer na minha vida pessoal.

O que tem me incomodado muito ultimamente é a dificuldade em lidar com as reações adversas das pessoas com relação a um posicionamento de vida diferente.

Quando você começa a ser e a pensar de forma diferente, as pessoas com as quais sempre se conviveu parecem não gostar muito, ignoram e não demonstram mais interesse pelo que se faz ou pensa. Há um certo distanciamento "emocional" e "psicológico", as idéias não batem mais. Passa a ser difícil então se relacionar com elas, não há mais assunto, não há mais interesses em comum.

Conclusão: não tenho mais vontade de estar com estas pessoas e, quando há uma situação em que precisamos estar juntos, não tenho vontade de conversar nem de ficar por perto.

Fico me culpando por estar tendo, de certa forma, uma atitude radical e sinto que as pessoas percebem que algo está diferente e afastam-se do seu lado também.

Como você mesma disse em um de seus textos, a verdade de cada um é diferente, mas o que acontece na realidade é que se a sua verdade é muito diferente da verdade da maioria, então você é afastado, porque muitas destas verdades não são espontâneas, autênticas, mas são aprendidas, padronizadas e foram aceitas como AS verdades. Quem pensa e age diferente incomoda.

Gostaria de encontrar uma forma melhor de lidar com tudo isso, sem sentir culpa e sem deixar de viver e pensar de uma forma nova e diferente só para ser aceita pelos outros.

Vou ficar aguardando suas dicas sobre este assunto.
Obrigada,


Esse conflito pode ser desconfortável, mas é saudável e benigno. É uma oportunidade para aprendermos a conviver com as diferenças numa base mais verdadeira, com resultados mais satisfatórios.


II - A ilusão do "todo-mundo-igual"

Por muitos e variados motivos, somos levados a acreditar que o "bem" está na igualdade. Parece mais seguro... tudo "conhecido". Parece mais fácil... tudo sob controle. Parece mais confiável... tudo "previsível". Parece mais harmônico... Parece até mais justo - todo mundo igual.

Se pararmos um pouco observando a vida e refletindo sobre ela, veremos que essa igualdade total é ilusória, é impossível... Temos algumas semelhanças, afinidades, mas na verdade nunca fomos iguais a ninguém - e ninguém nunca foi igual a nós - porque somos todos individualmente originais, diferentes, cada um do seu jeito. O que dá essa impressão de igualdade são os padrões de comportamento, mas eles são superficiais, mutáveis, e geralmente são incorporados visando algum tipo de benefício - queremos ser aceitos, queremos ser amados, considerados, respeitados, entre tantas outras coisas - então nos comportamos de maneira a "merecer" o retorno que desejamos, não raro nos sujeitando às condições dos outros. Por nossa vez, é comum aplicarmos os mesmos pesos e as mesmas medidas para "concedermos" os retornos que os outros desejam... E é nesse jogo de comportamentos que baseamos grande parte das relações humanas. É nele que investimos, depositando a nossa confiança e esperando garantias. Desenvolvemos bem pouco a nossa capacidade de apreciar as diferenças, tanto nos outros quanto em nós mesmos. Ao contrário disso, tememos tudo aquilo que foge aos padrões e nos especializamos em generalizar.

Daí para os preconceitos, é um pulinho... Mais um pulinho e já estamos nas "panelinhas", que são outra preferência mundial. A ilusão é sempre a mesma: "Ah, como seria bom se todos fossem iguais..." (a nós, é claro!).

Neste ponto é recomendável que prestemos atenção: assim como é comum que as pessoas com as quais convivemos reajam com desconfiança e com desagrado às nossas expressões de mudança, também é comum querermos mudá-las, adaptando-as ao nosso novo modo de pensar ou de ser (muitas vezes é essa nossa interferência que elas rejeitam). O quanto aceitamos, de verdade, que os outros discordem de nós?

Entusiasmados com nossas descobertas, é possível que entremos na idealização sem perceber - novamente ilusões.

"Como seria bom se o namorado (ou a namorada, o marido, a mulher) também gostasse da Metafísica! Falaríamos a mesma língua! Se a família toda aderisse, seria a solução de todos os conflitos! E se pudéssemos viver numa comunidade só de metafísicos?! Que maravilha!!!" ...Você também já caiu nessas tentações? (elas nem sequer são exclusivas - é assim que pensam todos aqueles que se isolam em determinados grupos). Do nosso ponto de vista pessoal, elas são até naturais num primeiro momento, mas é importante que continuemos avançando. Afinal, conseguimos sair um pouco dos padrões convencionais e começamos a descobrir que a diversidade é rica e interessante - não vamos querer agora formar a "panelinha" dos metafísicos, não é?


III - A grande pergunta

Quando modificamos profundamente a nossa maneira de pensar e de agir, é possível mesmo que alguns relacionamentos acabem. No caso específico da prática da Metafísica atual, podemos dizer que não são os relacionamentos que acabam, mas sim os jogos de interesses. Ficamos mais conscientes da nossa responsabilidade, compreendemos a importância de estabelecer limites, sentimos a necessidade de cuidar de nós mesmos, de nos apoiarmos, de exercermos o autodomínio. Aos poucos, vamos diminuindo a carga de dependência, nas relações, e queremos vivenciar trocas em outras bases, com uma qualidade mais elevada. Se neste estágio algumas ligações são rompidas, é porque o interesse (que aqui tem o sentido de manipulação) deixou de ser alimentado. Na nossa maneira pessoal de ver, se isso acontece é porque não havia, de fato, um relacionamento significativo; do contrário ele teria permanecido e poderia ser ainda aprimorado.

Mas vamos dar uma olhadinha nessa questão dos relacionamentos, especialmente nos afetivos. Nos confundimos bastante neste campo. Queremos conduzir o afeto com a cabeça, determinamos condições pra gostar... Quando alguém deixa de corresponder ao que esperávamos, qual costuma ser a nossa primeira providência? Dar um jeito de parar de gostar da criatura... Quantas vezes já ouvimos, ou já dissemos: "Como é que eu posso gostar daquela pessoa, se ela é assim?" Isso quando a coisa não é mais drástica: "Se fizer isso, não gosto mais de você!" São boicotes, são chantagens. É a mente desconsiderando o coração. O gostar ou não gostar é atributo do coração, e não da mente. Escolher se é melhor pra nós ficar junto da pessoa ou nos afastarmos dela, esse é um processo mental - mas o afeto não depende das idéias.

Não é de admirar que as mudanças assustem tanto aos que estão mudando quanto aos que estão à sua volta! Damos uma importância exagerada à comunhão de idéias, vemos as diferenças como obstáculos, mas a grande pergunta, que nessas circunstâncias mexe com todos os que estão ligados afetivamente, pode ser esta: "Você vai continuar gostando de mim?"

E, provavelmente, vai. Assim como é provável que continuemos gostando, também. Se já havia laços afetivos fortes, é bem possível que os relacionamentos até melhorem, passado esse primeiro impacto.

Havendo condições para um diálogo livre e aberto, ótimo! Tudo pode ser facilitado - mas o diálogo é para que possamos dizer aquilo que sentimos, e para que possamos ouvir as outras pessoas, e não para insistirmos em convencer os outros, ou para cobrarmos "papéis", concorda?

Finalizando, ainda há a questão da culpa. Geralmente nos sentimos culpados por não correspondermos ao que esperam de nós (ou ao que nós mesmos esperamos de nós...). É uma sensação desagradável, como se fosse uma traição. Na grande maioria das vezes, nos sentimos assim por pretendermos coisas que não temos a mínima condição de fazer. Como podemos nos responsabilizar pelas expectativas dos outros, se elas são criadas por eles, segundo seus próprios motivos? Da mesma forma, achar que falhamos conosco é pura pretensão - se pudéssemos fazer melhor, teríamos feito.


IV - Moral da história

É bem provável que você conheça aquela historinha um tanto deprimente, em que uma criatura ousa ir além dos limites experimentados pelo seu grupo e retorna cheia de entusiasmo, encantada com as novidades, querendo compartilhar suas descobertas com os demais e ensinar-lhes o caminho, certa de que todos terão prazer em segui-la - mas que, surpreendentemente, causa neles tanto medo e tantos outros sentimentos negativos, que acaba sendo massacrada pelo grupo, sem nenhuma compaixão... Lembrou?

E como ficou pra você? Qual foi a mensagem mais forte? Será que foi a idéia de que aqueles que ousam fazer o que querem, destacando-se dos demais (sendo "diferentes") fatalmente serão rejeitados, correndo ainda o risco de serem machucados, destruídos?

Ou você optou por uma segunda interpretação, tirando o drama e relacionando essa fábula a acontecimentos do dia-a-dia atual, considerando que o medo e a intransigência, aliados a preconceitos e a fanatismos de qualquer espécie, são portas abertas à estagnação e à deterioração e que, portanto, é bom estar aberto às novidades - e que o novo só pode ser diferente?

É bom refletirmos a esse respeito, pois assim poderemos descobrir algumas crenças nossas - sempre lembrando que, para a Metafísica atual, criamos o nosso próprio destino de acordo com as crenças que aceitamos como válidas, e que nos impressionaram fortemente. Onde foi que "amarramos o nosso burrinho"? No que é que acreditamos com tanta convicção? Como é que reagimos aos que demonstram que são diferentes? O que é que pensamos da nossa maneira original de ser? Como é que nos sentimos sendo nós mesmos?

Muitas perguntas... Mas, no que se refere à nossa felicidade ou infelicidade, é nessas respostas que pode estar toda a diferença.




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